20 anos após o primeiro ROCK IN RIO
FREDDIE MERCURY e Brian May, do Queen,
a banda que ditou as regras de palco do
Rock in Rio/FOLHAPRESS
Que a vida começasse agora
Há 20 anos, milhares de jovens do Brasil e da América do Sul convergiram para a Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, naquele que ficou conhecido como o maior festival de sua época. O primeiríssimo Rock in Rio marcou a maioridade do show business brasileiro e consolidou o estouro do rock nacional dos anos 80.
Dia 11 de janeiro de 1985. Num final de tarde, o show-man Ney Matogrosso abre a voz: ''Desperta, América do Sul!...' Tinha início o maior festival de rock de todos os tempos. Uma área de 250 mil metros quadrados em Jacarepaguá (zona oeste do Rio de Janeiro), que ganhou o nome de Cidade do Rock, foi a sede do primeiro Rock in Rio, um marco importante para a geração dos anos 80 e para o show business brasileiro. Pela primeiríssima vez, o Brasil sediava um evento internacional de grande porte. Era uma prova de fogo: dando certo, seria a abertura definitiva do País para a rota de shows internacionais. Passou no teste com louvor. A partir de então, os artistas começaram a vir com mais freqüência e outros eventos do tipo puderam ser viabilizados.
Antes disso, o negócio era pingado: Alice Cooper aqui, Rick Wakeman ali, Santana acolá, Genesis depois... ainda na década de 70. No início dos anos 80, vieram Queen, The Police, Van Halen, Kiss. Mas o currículo era vergonhoso. Equipamentos roubados, calotes federais, falhas graves de organização, micos homéricos que deixavam o Brasil na lista negra do show business mundial. O empresário Roberto Medina, com a experiência e o aval do show de Frank Sinatra no Maracanã, em 1980, peitou o desafio e cortou um dobrado para convencer os agentes a marcar a vinda de seus artistas para o Brasil. Ozzy Osbourne foi o primeiro confirmado. Mas só depois do Queen anunciar sua participação que outros artistas, sabendo do nível de exigência da produção do dinossauro inglês, toparam participar do evento.
É tanto que o Queen realmente ditou as normas. O palco foi arquitetado pelo especialista Peter Gasper a partir das medidas exigidas por eles e só era usado em 100% de seu potencial de som e luz nas duas antológicas apresentações. O que não impediu que artistas como Iron Maiden, AC/DC e Yes também trouxessem seus cenários completíssimos. Coube ao Yes, inclusive, o show de encerramento com o uso de laser, pela primeira vez no Brasil. O esquema era grandioso. Para agilizar a transferência de um artista para outro, o palco era giratório. Os brasileiros chiaram. Eles não tinham as mesmas condições de luz e som das atrações gringas. Mas para a turma do rock nacional, então engatinhando, foi um marco. Antes tratados como uma febre efêmera, passaram a ditar as normas de mercado e muitos deles estão aí até hoje: Barão Vermelho, Kid Abelha, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos mantêm um pique de qualidade invejável 20 anos depois, apesar de todos os percalços.
Para a turma da MPB, o baque foi mais difícil. Ney Matogrosso e Eduardo Dusek foram xingados no palco e responderam à altura. Erasmo Carlos foi humilhado pelos 'metaleiros' - termo cuja criação é creditada à repórter Glória Maria, da Globo, para denominar os fãs radicais de heavy-metal que se vestiam com camisas pretas e acessórios de couro com tachas metalizadas. Gilberto Gil, Alceu Valença e Ivan Lins passaram vergonha - alguns internacionais também, como Al Jarreau e George Benson, verdadeiros peixes fora d'água. Elba Ramalho driblou as adversidades e botou seu carisma à prova colocando a platéia para xaxar na lama, e deu um banho de cheiro no público. Outro que saiu consagrado foi James Taylor, então no ostracismo, que chorou no palco ao ver aquele imensa platéia entoando de cor ''You've Got A Friend''. A partir daí, sua carreira foi revitalizada. Para quem não esteve lá, a Globo transmitiu o máximo que pôde dentro da sua programação.
O Rock in Rio foi um marco de uma era. Não foi coincidência acontecer em pleno processo de redemocratização. No dia 15, em Brasília, o Colégio Eleitoral elegeu Tancredo Neves, o primeiro presidente civil depois de quase de 21 anos de ditadura militar. Cazuza à frente do Barão Vermelho sobe no palco enrolado com a Bandeira Brasileira e canta ''Pro Dia Nascer Feliz''. Momento histórico. O País respirava novos ares de liberdade. (É claro que depois vieram os anti-clímax: a morte de Tancredo sem assumir o cargo três meses depois e, seis meses depois, a saída de Cazuza do Barão para seguir carreira solo).
Eram tempos estranhos aqueles. A Síndrome de Imunodeficiência Adquirida era uma sombra por trás da liberdade de costumes conquistada pelas gerações anteriores. Dois superastros daquele verão de rock e lama foram vitimados pela Aids: no Brasil, Cazuza, no exterior, Freddie Mercury - há quem diga que ele já veio ao Rock in Rio acompanhado de uma junta médica devido a alguns problemas de saúde que se manifestavam. Mas antes dos dois, ainda naquele 1985, mais precisamente em outubro, morria o guitarrista Ricky Wilson, do B-52s, também vitimado pela doença.
A história continua. O Rock in Rio teve mais duas versões no Brasil: 1991 e 2001. Ano passado, Roberto Medina realizou o festival em Lisboa. O sucesso foi tão grande que já planeja outro ''Rock in Rio Lisboa'' para 2006. Mas o empresário megalômano tem um plano ainda maior: quer fazer o Rock in Rio 2007 simultaneamente em três cidades do Hemisfério Sul, Rio de Janeiro (Brasil), Cidade do Cabo (África do Sul) e Sydney (Áustrália). Quem viver... verá!
Texto por Luciano Almeida Filho
Fonte Original http://www.noolhar.com/opovo/vidaearte/436476.html

1 Comments:
Ainda não percebi o que tem Lisboa a ver com Rock in Rio (esse nome vem de Rio de Janeiro), e pior ainda na versão portuguesa levam artistas que nada tem a ver com rock, Mariza, Vitorino, Jorge Palma. Yvete semgalo etc.! É vergonhoso a palavra "Rock" não merece tanta falta de respeito!
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